segunda-feira, 25 de maio de 2026

Delete aquela versão antiga de mim na sua cabeça, ela expirou.

Sejam muito bem-vindos a este novo espaço.

Ele surge a partir de uma ideia que me ocorreu ainda ontem, depois de dois dias inteiros de conversas e trocas de experiências em um grupo de WhatsApp voltado inteiramente para pessoas com deficiência. A iniciativa do grupo partiu da Luiza Habib (@acessibilizei e, até então, em momento algum da minha vida eu havia tido a sensação real de pertencer, de ser ouvida - ou melhor, de ser compreendida de fato.

Sabe quando você compartilha algo e o outro imediatamente identifica o que você está trazendo, sem que você precise dar voltas e mais voltas tentando explicar? Pois é. E o melhor é que eu não fui a única a ter essa sensação. Outras pessoas também mencionaram sentir o mesmo: algo como ‘finalmente alguém se sente como eu’, ‘pensa como eu’, ‘me entende, afinal’.

É difícil explicar tal sensação para quem nunca precisou transformar a própria existência em tradução o tempo inteiro. Para quem nunca precisou justificar um cansaço, uma limitação, um constrangimento cotidiano ou até mesmo a própria presença - e ausência - em determinados espaços. Mas, quando o entendimento chega sem esforço, algo dentro da gente também relaxa. O corpo relaxa. A linguagem relaxa. A solidão relaxa.

E foi justamente dessa experiência que nasceu este espaço. Dito isso, vamos ao que importa? 

Meu nome é Maria Luiza, mas se você quiser fazer parte de um círculo mais íntimo, pode me chamar de Malu. Sou mulher, pessoa com deficiência, terapeuta, escritora em aprendizado constante e alguém que passa boa parte da vida tentando encontrar palavras para sensações que quase nunca parecem caber em lugar nenhum - principalmente dentro de mim. Aliás, este não é o meu primeiro, tampouco único blog. Entrei para este mundo em 2005 e, inicialmente, os meus escritos eram privados. Depois concedi o acesso a um número pequeno de amigos. Lembro que naquela época o hábito de escrever para mim era equivalente ao de tirar minha roupa. Então aqui já dá para perceber o quanto a escrita me desnuda a alma...

Mas, voltando a este blog, ele não nasce como um diário pessoal, embora haverão de existir aqui alguns compartilhamentos íntimos inevitáveis. Ele nasce como um espaço de crônicas, reflexões, comentários, incômodos e observações sobre feminilidade, deficiência, acessibilidade, inclusão e tudo aquilo que perpassa os nossos corpos no cotidiano.

Com pequenas doses de ironia - porque, sinceramente, às vezes é isso ou surtar.

Aqui, pretendo falar sobre as violências sutis que quase ninguém percebe, sobre locais que não nos acolhem, sobre o olhar social lançado aos corpos considerados ‘diferentes’, sobre feminilidade e capacitismo, mas também sobre pertencimento, humanidade, autonomia e existência. Sem romantização. Sem discurso de superação - aliás, quem me conhece sabe que eu detesto esta palavra! Sem transformar pessoas com deficiência em metáforas inspiradoras para consumo alheio.

Aqui escreverei sobre pessoas com deficiência - pessoas reais tentando existir em um mundo que ainda insiste em nos tratar como exceção.

Quem já me conhece de outros escritos e quis se achegar por aqui, fique a vontade - mas não tanto. Aliás, se posso deixar um aviso: delete aquela versão antiga de mim na sua cabeça, ela expirou. Dito isso: a casa é nossa!

Quem vai me conhecer a partir de agora, bom... Se você é capacitista, preciso dizer que vou ficar feliz em te decepcionar!

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